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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

ANALISANDO | A LÂMINA DA ASSASSINA


INTRODUÇÃO

Estou começando um projeto individual para tornar meu olhar mais crítico para minhas leituras. Percebi que quero ler meus livros de uma forma diferente, não quero apenas ler para esquecer, quero poder perceber as mensagens que os escritores colocam nas entrelinhas. E para isso, vou começar pelo mais "fácil" que seria uma das minhas fantasias favoritas até o momento. 
Decidi começar relendo os livros da série de Trono de Vidro, da Sarah J. Maas, por ser uma história que já conheço e que tem muitas discussões nas redes literárias, sendo assim uma ótima forma de começar a bater de frente com o que eu penso e o que colocam na minha mente.
Meu intuito é poder ler melhor e até mesmo aprender a escrever e expressar as minhas ideias de forma mais clara. Sei que será um processo demorado, mas não custa tentar.

Diferente da primeira vez, agora comecei a ler A Lâmina da Assassina primeiro e no momento fez mais sentido essa sequência pelo fato de já conhecer os personagens principais, principalmente a protagonista. A minha opinião sempre foi que ler a Lâmina da Assassina na ordem de lançamento da saga é muito melhor para a primeira vez, porque quando começo a ler uma fantasia, gosto do mistério e dessa tortura que os autores causam em nós quando nos obrigam a quebrar um ciclo de euforia no meio de uma saga completamente instigante.

Alerta de Spoilers: Esse é um conteúdo para quem já leu a série, então terá muitos spoilers.

 CONTO 1 – A ASSASSINA E O LORDE PIRATA

Resumo | Celaena Sardothien foi enviada para uma missão em Baía da Caveira, juntamente com seu colega assassino que a odeia, e que ela também odeia. Ambos foram a pedido de Arobynn, seu mestre, tratar de um negócio com o Lorde dos Piratas, Rolfe.
Já na primeira reunião, descobrem que foram enviados para fechar um acordo de escravos e ambos se sentem revoltados com a missão e com o que o Rei dos Assassinos estava pedindo para ser feito.
Celaena, inconformada, pensa em um plano para libertar os escravos que estão na Baía. Sam descobre e decide ajudar também.
Por fim, conseguem ajudar os escravizados e eles conseguem fugir. A assassina obriga Rolfe a assinar os papéis do Arobynn e outro que o proíbe de fazer mais esse tipo de negócio no continente.
Depois, ela consegue chegar até Sam que foi soterrado ao lutar com todos os piratas revoltados e ela sente medo de ele ter morrido, mas não é o caso.
E quando vão embora, Celaena está com uma ameaça de morte feita pelo Lorde dos piratas e os assassinos ficam desconfiados dos planos do mestre, mas Celaena tenta não se preocupar.

Análise | Minha percepção da história

1. Esse funciona mais como um conto de apresentação dos personagens mesmo, onde conseguimos ver a personalidade arrogante e vaidosa de Calaena. E a personalidade calma e fofa de Sam.

2. Aqui nesse começo já da para reparar que ela sempre passa pano para o Arobynn, e isso me deixou irritada muitas vezes porque ela não percebe que ele é ruim. Ela tem uma imagem muito idealizada do mestre, pois foi aquele que a encontrou, a treinou e protegeu. Masss, também foi aquele que tirou sua inocência.

3. Quando ela decide ir contra as ordens de seu mestre, esse conto se torna um ponto de partida em que ela começa a se desprender das garras de Arobynn e assumir as responsabilidades por suas escolhas.

4. No capítulo 5, tem uma linda cena em que ela olha as constelações no céu e se lembra de casa. Ela conta que quando foi encontrada por Arobynn com 8 anos de idade, não tinha outra escolha se não aceitar a oferta de ser a pupila dele. E isso é o que me pega mais na história dela, porque ela passou por tanta coisa e sempre se manteve em pé e de cabeça erguida.

5. Algo que ainda vou pontuar muito no decorrer das analises é o fato da Celaena ter sido quebrada te tantas formas e ainda conseguir encontrar bondade no coração. Certo dia estava lendo os comentários de uma publicação e alguém dizia que a gente foca tanto no sofrimento que ela passou que não damos espaço para outro personagem que vai aparecer mais adiante, dizia que ela é extremamente arrogante e muitas vezes grossa com as pessoas. Mas sabe, eu não a julgo nem um pouco, pois imagina viver uma um mundo em que você não pode confiar nem na sua própria sombra. Em um mundo em que só te magoam e te machucam, mas você continua encontrando um cantinho para espalhar amor no coração de outras pessoas.

Quotes | Frases que complementam os pontos que indiquei

• “Aquele era o melhor quarto que podia oferecer a eles? Celaena era a Assassina de Adarlan, o braço direito de Arobynn Hamel, não uma prostituta de beco”

• “...Celaena sempre presumiu que a riqueza de Arobynn fosse infinita. Havia gastado a fortuna de um rei – somente no guarda-roupa – para cria-la. [...] É claro que Arobynn sempre deixou claro que devia pagar de volta [..].
Talvez ele quisesse aumentar a fortuna que já tinha. Se o Bem estivesse vivo, não teria permitido. Teria ficado tão enojado quanto ela. Ser contratada para matar oficiais de governo corruptos era uma coisa, mas fazer prisioneiros de guerra, agredi-los até que parassem de reagir, então sentencia-los a uma vida de escravidão...”

• “Mas abraçar Sam era diferente, de alguma forma. Como se quisesse se aninhar ao calor dele, como se, por um momento, não precisasse se preocupar com nada ou com ninguém.
— Sam – murmurou Celaena ao peito dele.
— Hmm?
A assassina se afastou, desvencilhando-se dos braços do rapaz.
— Se contar a alguém que o abracei...vou estripa-lo.
Sam a olhou boquiaberto, então inclinou a cabeça para trás e gargalhou.”

CONTO 2 – A ASSASSINA E A CURANDEIRA

Resumo | Yrene Towers vivia em Charco Lavrado, mas após o rei proibir a magia e matar sua mãe que era curandeira, Yrene passou a criada pela tia. Quando juntou dinheiro o suficiente, partiu rumo a Antica para viver o sonho de se tornar curandeira como a mãe. No entanto, ao chegar na cidade portuária, Innish, se viu sem dinheiro e precisou começar a trabalhar como atendente em uma taverna, mal conseguindo juntar o bastante para viajar. Até que um dia, a chegada de uma estranha na taverna, deixa sua vida monótono menos tediosa.
A estranha era Celaena, que após acabar com o negócio de escravos de Arobynn, levou uma surra de seu mestre e foi mandada para cumprir seu castigo lutando com os Assassinos Silenciosos no Deserto Vermelho.
Em sua última noite aguardando o navio zarpar, Celaena presenciou Yrene ser atacada por 4 homens ao levar o lixo no beco ao lado da taverna. Celaena mata três deles e um foge, mas ela não se importa muito. Yrene oferece ajuda com o corte que a assassina ganhou na luta e nesse tempo as duas conversam e Yrene conta sua história para a Celaena.
Celaena decide ensinar técnicas básicas de autodefesa para a garota. Mas quando terminaram a aula, Celaena pede que Yrene ensine essas técnicas para todas as mulheres que ela tiver a oportunidade de ensinar. O homem que havia fugido, volta com mais com mais companheiros. A assassina consegue se livrar da maioria, mas um deles captura Yrene e a atendente consegue aplicar as técnicas que aprendeu.
As duas se despedem e na manhã seguinte quando Yrene chega ao seu quarto se depara com uma bolsa de dinheiro e o broche vermelho que Celaena usava. E junto deles havia um bilhete dizendo tinha o suficiente para ela ir onde precisava ir e mais um pouco, pois o mundo precisa de mais curandeiros.
Yrene não espera nem, mas um dia para juntar suas coisas e ir embora para Antica.

Análise | Minha percepção da história

1. Esse conto funciona como um conto de transição e é o mais desconexo no livro, mas são informações importantes para o que vai acontecer nos livros futuros.

2. Gosto muito desse conto, acho que tem muito a acrescentar em nossas vidas. Mostra um pouquinho sobre o grande problema de nós mulheres não termos o conhecimento de técnicas básicas de defesa, considerando o mundo em que nós vivemos. E pensando agora, a história se passa no período medieval, mas o comportamento humano se comparado é muito parecido com o que temos hoje em dia. Parece até que só enfeitamos a sociedade com leis que muitas vezes não ajudam em nada.

3. Vemos também como ela ficou depois que o Arobynn bateu nela. Vemos o conflito interno dela sobre o que ela fez e se valeu apena ou não. No entanto, ela mantém a opinião forte de que depende de quem olha, pois para ela não existia outra opção se não ajudar as pessoas que estavam sofrendo naquele navio.

4. E assim como ela sempre está relembrando de sua casa, também vemos várias vezes o ódio que ela sente pelo rei.

Quotes | Frases que complementam os pontos que indiquei

• “Ela lutou contra a vontade de tocar o próprio rosto. O inchaço da surra que Arobynn lhe dera tinha sumido, mas os hematomas permaneciam. Evitara olhar na lasca de espelho acima da penteadeira, sabendo o que veria: uma mescla de roxo e azul e amarelo ao longo das maçãs do rosto, um olho roxo horroroso e um lábio cortado ainda em cicatrização.”

• “— Saia, seu covarde desgraçado — urrou o líder da gangue. — Venha nos enfrentar como um homem de verdade.
Uma risada grave e baixa.
O sangue de Yrene esfriou. Que Silba a proteja.
Conhecia aquela gargalhada. Conhecia a voz tranquila e culta que a acompanhava.
— Assim como vocês, homens de verdade, cercaram uma garota indefesa em um beco?
Com isso, a estranha saiu de dentro da névoa. Segurava uma adaga longa em cada mão. E as duas lâminas estavam escuras com o sangue que pingava.”

• “O rei de Adarlan não deixou muito do povo de lá, nem da família real, vivos. Yrene ergueu o rosto.
O incêndio descontrolado nos olhos tornara-se uma chama azul incandescente. Tanto ódio, pensou ela, estremecendo. Tanto ódio fervilhante. O que teria vivido para dar-lhe aquela aparência?”

• “Para onde precisar ir — e mais um pouco. O mundo precisa de mais curandeiros.”

CONTO 3 – A ASSASSINA E O DESERTO

Resumo | Depois de um mês viajando, Celaena finalmente chega à fortaleza dos Assassinos Silenciosos, no Deserto Vermelho. Ela se apresenta ao Mestre mudo e explica que o Arobynn a enviou para ser treinada por ele e voltar com uma carta positiva do mestre.
O Mestre Mudo aceita apenas após ela lutar com vários assassinos silenciosos e se provar digna. Ele solicita que uma aprendiz, chamada Ansel, mostre a fortaleza e os aposentos para Celaena. Elas passam a dividir o mesmo quarto e Ansel começa a conquistar a confiança da assassina de Adarlan dando início a uma amizade.
Na primeira noite na fortaleza, Celaena já percebe que o filho do mestre está interessado nela, mas ela fica assustada ao perceber que seus pensamentos apenas a levam até Sam e em como ela esta preocupada com ele, pois não viu o que o Arobynn fez.
O Mestre Mudo não aceita treinar a assassina imediatamente e convivendo com a Ansel, ela descobre que a garota é encarregada de ser a mensageira do mestre com o Lorde Berick, cujo homem quer cair nas graças do Rei de Adarlan, e para isso luta a anos para conseguir entregar a cabeça do Metre Mudo ao rei.
Celaena é convidada para acompanhar Ansel em uma de suas viagens até Xandria. No caminho, a aprendiz abre seu coração e conta sobre o seu passado e conta a forma que seu pai e sua irmã foram mortos por um homem que estava tomando a terra deles. Ela também comenta que conheceu uma bruxa que a ajudou a chegar até o deserto, e explica a história da maldição entre as bruxas Crochan e as Dentes de Ferro. Ela também revela que decidiu vir ao deserto para ser treinada pelo mestre e ir em busca de vingança pela sua família.
Ao chegarem, Ansel pede que ela espere na feira da cidade enquanto trata dos assuntos com o Lorde Berick. Celaena encontra um mercador vendendo teia de aranha e ganha um pequeno pedaço para que ela nunca se esquecesse dele.
Ansel termina e influencia Celaena a roubar um cavalo Asterion do Lorde Berick e elas consegue fugir dos guardas. Quando chegam na fortaleza, Celaena acaba assumindo a culpa pelo roubo e depois disso o mestre aceita treiná-la pessoalmente.
A assassina e a aprendiz se desentendem e mais tarde, Ansel pede desculpas, mas envenena Celaena e a deixa com o cavalo no meio do deserto.
Celaena vai até a cidade, porém ao perceber os soldados de Xandria marchando para a fortaleza, entende que era uma enrascada.
Ao chegar, se depara com a Ansel quase matando o mestre. Consegue derrota-la, mas lhe da a oportunidade de fugir.
O mestre concede a carta de aprovação a Celaena, mais três baús cheios de ouro como agradecimento por salvar sua vida e também a vida de Ansel.

Análise | Minha percepção da história

1. Achei a história de Ansel muito parecida com a de Celaena – um homem mal que mata toda sua família e depois virá assassina para aprender a se defender e para voltar se vingar -, então acho que foi esse o motivo que gerou em Celaena um local de reconhecimento e pertencimento, o que tornou a traição ainda mais dolorida.

2. Para quem já leu toda a saga, percebe o quanto Celaena cita essa traição, então é só mais uma coisa que há quebrou.

3. Nesse conto acho que a ficha dela realmente cai e ela finalmente constata os sentimentos que ela tem pelo Sam. E quando ela se lembra que o Arobynn chamou três homens para segurar o Sam enquanto batia em Celaena, o fazendo assistir. E quando ela se lembra que ele ameaçou matar o Arobynn por aquilo. Gente, já está me dando vontade de chorar :/

4. Nesse conto, ela já consegue entender que o que Arobynn faz com ela é errado e o quanto ele é manipulador, tanto que ao final do conto, ela vai completamente decidida em pagar sua divida e deixar Arobynn para trás. (vou comentar mais no próximo capitulo).

5. E por último, seria uma observação de escrita. Eu amo como a Sarah constrói o universo dela. Existe um “mundo/planeta” e ela distribui acontecimentos individuais em cada “nação”, como realmente é na vida real, os problemas das nações não se mesclam por completo, cada lugar existe o bem e o mal, e em cada lugar existem problemas próprios para lidar. E ela faz isso como se a gente estivesse rolando uma tela de notícia e ficando a par de tudo o que rola no mundo, diferente de muitas fantasias que focam em apenas um ambiente.
Para mim, essa é a melhor parte na série inteira.

Quotes | Frases que complementam os pontos que indiquei (alguns com comentários)

• "Caiu da cadeira e não teve tempo de se levantar direito antes que o mestre a agarrasse pelo colarinho e atacasse de novo, o punho acertando a bochecha de Celaena. Ela via luz e escuridão passarem. Mais um golpe, forte o bastante para que sentisse o calor do sangue no rosto antes de sentir a dor.
Sam começou a gritar algo. Mas Arobynn bateu nela de novo. Celaena sentiu gosto de sangue, mas não revidou, não ousou. O rapaz se debatia contra Tern e Mullin. Seguravam-no firme, e Harding colocou o braço diante de Sam para bloquear seu caminho.
Arobynn a acertou — as costelas, o maxilar, o estômago. E o rosto. Repetidas vezes. Golpes cuidadosos. Golpes que deveriam infligir o máximo de dor possível sem deixar danos permanentes. E Sam continuava urrando, gritando palavras que Celaena não conseguia ouvir por cima da dor."

• "A assassina parou de provocar quando a curiosidade tomou conta.
— Suas terras são amaldiçoadas, como dizem? — Bem, as Terras Planas costumavam ser parte do Reino das Bruxas. E sim, acho que se pode dizer que são de alguma forma amaldiçoadas. — Ansel suspirou alto. — Quando as rainhas Crochan governavam há quinhentos anos, era muito lindo. Pelo menos as ruínas por toda parte parecem ter sido lindas. Mas então os três clãs Dentes de Ferro destruíram tudo quando depuseram a dinastia Crochan.
— Dentes de Ferro?
Ansel emitiu um chiado baixo.
— Algumas bruxas, como as Crochan, tinham o dom da beleza etérea. Mas os clãs Dentes de Ferro têm dentes de ferro, afiados como os de um peixe. Na verdade, as unhas de ferro são mais perigosas; podem cortar com um golpe. Um calafrio percorreu a espinha de Celaena."

Esse quote, para mim, dá para ver que ela toma a decisão como uma rainha, ela consegue entender o mal pelo qual Ansel passou e faz seu julgamento, dando uma chance para que faça diferente.

• "Celaena apertou o cabo da espada, desejando reunir mais coragem. Ansel precisava morrer; pelo que tinha feito, merecia morrer. E não apenas por todos aqueles assassinos caídos, mortos, ao redor deles, mas também pelos soldados que tinham dado as vidas pelos interesses da garota. E pela própria Celaena, que sentia o coração se partir mesmo ainda ajoelhada ali. Por mais que não enterrasse a espada no pescoço de Ansel, ainda a perderia. Já havia perdido a amiga.
Mas talvez o mundo a tivesse perdido muito antes daquele dia.
Celaena não conseguia impedir os lábios de tremerem ao perguntar:
— Algum dia foi real?
A garota abriu um dos olhos, encarando a parede mais afastada.
— Em alguns momentos foi. Quando mandei você embora, foi real.
A assassina conteve o choro e respirou fundo para se acalmar. Devagar, tirou a espada do pescoço de Ansel — apenas uma fração de centímetro.
[...] Se vissem Ansel, se vissem o que havia feito... eles a matariam.
— Tem cinco minutos para juntar suas coisas e deixar a fortaleza — falou Celaena, baixinho. — Porque em vinte minutos vou subir na muralha e vou atirar uma flecha em você. É melhor torcer para que esteja fora do alcance; se não estiver, aquela flecha vai atravessar seu pescoço."

• "— Quando der esta carta a seu mestre, dê também isto a ele. E diga que no deserto Vermelho, não agredimos nossos discípulos. Celaena sorriu devagar.
— Acho que consigo fazer isso."

CONTO 4 – A ASSASSINA E O SUBMUNDO

Resumo Quando volta do deserto, Celaena está decidida a pagar sua dívida e deixar a casa de seu mestre, porém ao chegar na Fortaleza do Assassinos para enfrentar Arobynn, o mesmo pede desculpas pelo que fez e a enche de presentes. Celaena se sente confusa com os seus sentimentos.

Ela logo reencontra Sam, sentindo-se aliviada pelo rapaz estar bem. Mas a assassina se sente incomodada quando Lysandra, uma cortesã - de quem nunca gostou -, e de sua idade que está prestes a passar pelo leilão de sua virgindade, aparece confirmando que ela e Sam se aproximaram enquanto Celaena esteve fora.

No outro dia, Arobynn oferece um trabalho a Celaena para matar um homem que estava envolvido com comércio de escravos. Ela aceita e pede ajuda para Sam.

Ela conta como foi no deserto e em como foi traída por alguém que considerava uma amiga. Com isso, ela se lembra dos motivos para se libertar de Arobynn e pagar sua dívida.

Em um dos dias de vigília acaba discutindo com o Sam e o assassino declara que a ama e diz que sabe que ela não o escolheria, porque o Arobynn sempre iria primeiro.

Após matar o homem, a menina descobre que seu mestre armou para ela e que na realidade tirou a vida de um homem que estava tentando ajudar os escravos e não o contrário.

Com isso, ela vende seu cavalo Asterion e usa o dinheiro para pagar a dívida de Sam, que vai morar com ela no apartamento de Celaena.

A assassina deixa claro que Arobynn não vá atrás dela.

Analise | Minha percepção da história

1. Um conto que apresenta Celaena como assassina, porque até o momento não tínhamos visto como era a vida e o trabalho dela na capital.

2. Uma apresentação mais concisa do Arobynn, porque antes a gente só via os pensamentos de Celaena em relação a ele e não suas atitudes. Eu não lembrava o quanto Arobynn era tão manipulador com ela e quando reli esse livro, tive vontade de gritar de ódio. Quando ela tinha 8 anos, ele a resgatou, treinou, alimentou e deu tudo que ela precisava, mas nunca disse que ela precisaria pagar por tudo que ela gastava. Fora que como Celaena mesmo diz, não dá para entender como ele se vê para ela – pai, irmão ou amante (eca).
Até mesmo Sam pontua que o perdão dela é comprado com presentes caros. Todos veem que ela é manipulada, mas ela não consegue (e também tem o fato de o Arobynn saber do segredo dela, será que ela não teme que ele a entregue caso não faça as coisas como ele quer?).

3. Também é nesse conto em que conhecemos mais de Sam e sua história. Entendemos como ele pensa em relação a Lysandra e a como Arobynn trata Celaena, o que só o torna mais fofo. Com as interações deles, a menina vai pegando mais confiança nele, até que se abre para esse sentimento.

4. Quando Sam disse a Celaena que só aceitou perdoar Arobynn sob a condição dele nunca mais encostar um dedo nela, me quebrou. Mas, não acho que o Arobynn se importe, e o que me deixa aborrecida são essas pessoas acreditar em tudo que sai da boca desse cara, mas fazer o que né, não é como se não fossem escravos de uma forma diferente.

Quotes | Frases que complementam os pontos que indiquei (alguns com comentários)

Esses dois primeiros quotes mostram como o Arobyn manipula Celaena e deixa claro que ele nunca só a viu como uma filha ou uma sobrinha. Isso é algo nojento, ele pode até ter tido ela como uma filha, mas quando ela começa a crescer e se tornar mulher, claramente essa visão muda. E lembrando que Celaena, neste capítulo, tem apenas 17 anos.

• “A carta presa à mão da assassina era prova de que havia conseguido. Prova de que Arobynn não a havia destruído naquela noite.
E Celaena mal podia esperar para ver o olhar no rosto do mentor quando lhe entregasse a carta.
Sem falar de quando contasse sobre os três baús de ouro que havia levado consigo e que estavam a caminho do quarto naquele momento. Com poucas palavras, explicaria que a dívida com ele estava agora paga, que sairia da Fortaleza e se mudaria para o novo apartamento que comprara. Que estava livre de Arobynn.”

• “Preparou-se para começar, mas Arobynn falou primeiro.
— Desculpe — disse ele.
Mais uma vez, as palavras sumiram dos lábios de Celaena.
[...]
— Se eu pudesse apagar aquela noite, Celaena, apagaria.
O homem se inclinou sobre a borda da mesa, as mãos agora formando punhos. Na última vez que Celaena vira aquelas mãos, estavam sujas com o sangue dela.
— Desculpe — repetiu Arobynn. Ele tinha quase vinte anos a mais que ela.
[...]
— Eu não deveria ter deixado meu temperamento vencer. Não deveria ter mandado você embora.
[...] — Permita que eu me redima. [...]
O assassino estendeu o presente a ela. A própria caixa era uma obra de arte, revestida com madrepérola, mas Celaena manteve o rosto inexpressivo ao abrir a tampa.
Um broche de esmeralda e ouro reluzia à iluminação da tarde cinzenta. Era deslumbrante, o trabalho de um mestre artesão; e Celaena instantaneamente soube quais vestidos e mantos o broche melhor complementaria.
[...]
Celaena estava completamente ciente dos movimentos de Arobynn e se preparou quando ele ergueu uma das mãos, cuidadosamente a levando à face da assassina. O homem deslizou o dedo da têmpora até a curva das maçãs do rosto da jovem. — Desculpe — sussurrou ele de novo, e Celaena ergueu os olhos para encará-lo.
Pai, irmão, amante — Arobynn jamais se declarara nenhum desses.
[...]
O Mestre Mudo dissera a ela que as pessoas lidavam com a dor de modos diferentes — que algumas escolhiam afogá-la, algumas escolhiam amá-la, e algumas escolhiam permitir que se tornasse raiva. Embora não se arrependesse de ter libertado aqueles duzentos escravos de baía da Caveira, havia traído Arobynn ao fazê-lo. Talvez feri-la tivesse sido o jeito dele de lidar com essa dor.
E embora não houvesse desculpa no mundo pelo que o mentor fizera, ele era tudo que Celaena tinha. A história entre os dois, obscura e deturpada e cheia de segredos, era forjada por mais que apenas ouro. E se a assassina o deixasse, se pagasse as dívidas naquele momento e jamais o visse de novo...”

Aqui é tão perceptível o quanto ele ama ela. Ele amou tanto ela. Triste.

• “— Quer saber qual foi o preço que pedi para perdoar Arobynn, Celaena? Ela se virou devagar. Com a chuva ininterrupta, o corredor estava cheio de sombras e luz. Sam estava tão imóvel que poderia ser uma estátua. — Meu preço foi a promessa de que ele jamais poria as mãos em você de novo. Eu disse que o perdoaria em troca disso.”

• “A mão de Sam tocou o ombro de Celaena, que quase deu um salto quando o rapaz aproximou a boca do ouvido dela e murmurou:
— Você está linda. Mas aposto que já sabe disso. “
(AAAAAAAAAAAAAAiiii que TUDOOO💃🏽)

• “Tente não manchá-los com suas lágrimas ao tocar. Foram precisos muitos subornos para consegui-los." (Ele deu a partitura da música favorita delaaa, mdsss).

• “O rapaz a agarrou pelos ombros e a sacudiu.
— Porque amo você!
A boca de Celaena se escancarou.
— Amo você — repetiu Sam, sacudindo-a de novo. — Há anos. E ele machucou você e me fez assistir porque sempre soube o que eu sentia também. Mas se eu pedisse a você que escolhesse, escolheria Arobynn. E. Não. Posso. Suportar.
Os únicos ruídos eram da respiração dos dois, um ritmo irregular contra o fluxo do esgoto.
— É um grande idiota — sussurrou Celaena, segurando a frente do manto dele. — É um imbecil e um babaca e um grande idiota. — Pela expressão de Sam, parecia que fora golpeado. Mas ela continuou, segurando os lados do rosto dele. — Porque eu escolheria você.
E então Celaena o beijou.”

CONTO 5 – A ASSASSINA E O IMPÉRIO

Resumo | Depois de um mês longe da fortaleza, os dois ainda não conseguiram trabalho, pois o Rei dos Assassinos está dificultando o acesso aos clientes. Com isso, Celaena decide que é melhor falar com o mestre e pedir para sair da guilda. Arobynn cobra um valor muito alto de rescisão, mas a menina paga mesmo Sam achando um absurdo.
Agora, com a conta de Celaena vazia, precisam de dinheiro para irem embora e coincidentemente um estranho aborda Sam e pede um serviço para matar o Lorde dos Assassinos e o seu braço direito – um assassino sádico. Realizar tudo sem o conhecimento da guilda.
Celaena, mesmo relutante e desconfiada, aceita e nem mesmo Arobynn dizendo que é perigoso os fazem mudar de ideia.
Sam deixa claro que como conseguiu o cliente, as regras serão do jeito dele e isso inclui Celaena não participar do assassinato do Ferran, o sádico e braço direito do Lorde dos Assassinos.
No dia, Celaena fica esperando Sam no apartamento, mas com a demora sai atrás dele e não o encontra. Na manhã seguinte sai novamente e quando volta ao apartamento se depara com o mestre que informa que Sam foi torturado, assassinado e deixado na fortaleza.
Ela fica cega de ódio e vai busca vingança, mas cai em uma armadilha armada por um traidor da guilda. Entregam ela para o rei e ela é sentenciada a passar o resto da vida nas minas de sal de Endovier.

Análise | Minha percepção da história

1. Quando li essa série pela primeira vez, li na ordem de lançamento e reler A Lâmina da Assassina depois de já ter chegado até ao final de toda essa história e acompanhado a evolução da protagonista é assustador. Porque às vezes enquanto lemos rápido pois só queremos avançar para o próximo livro, esquecemos que Celaena é jovem, e piorou em A Lâmina da Assassina em que ela tem ali entre 16 e 17 anos. Eles são muito jovens, então muitas decisões e atitudes deles coincidem com quem eles são naquele momento.
E com isso quero dizer que a decisão de aceitar o trabalho, sabendo que o Arobynn estava de olho e não ter tido a responsabilidade de verificar melhor esse cliente foi muita irresponsabilidade e era óbvio que daria algum B.O.

2. E confesso que algumas atitudes do Sam me irritaram um pouquinho, como o fato de parecer que ele queria provar alguma coisa para a Celaena, pelo simples fato de ela ter pago a divida dos dois e a rescisão para sair da guilda. Acho que ele foi muito irresponsável.

3. Só que ao mesmo tempo dói um pouquinho criticar ele porque vem flashs do que ele sofreu nas mãos daquele maluco e dói. Machuca pensar que a Celaena estava apenas cumprindo um pedido dele e com isso não conseguiu ajuda-lo. Dói pensar que talvez ele tenha pensado nisso e não tivesse nenhuma esperança senão o próprio fim. Machuca ainda mais saber que provavelmente naquele momento ele estava grato por ela estar longe.

4. Para mim, o Arobynn é o pior vilão da saga toda. É assustador pensar que ele é real, ele não é um ser místico e fantasioso, ele retrata pessoas más que existem no mundo real.
Ele se acha no direito de mover a vida das pessoas de acordo com o que ele quer e precisa. Se sente no direito de matar Sam de uma forma cruel e mandar Celaena para a um destino terrível apenas porque ele quer, apenas porque as pessoas não dançaram a música dele.

5. E agora, para finalizar, quero fechar entregando uma opinião polemica que eu tenho: Não acho que Sam amaria todas as facetas de Celaena. Eu acredito muito que Sam a amava imensamente estava disposto a conquistar uma vida com ela. No entanto tenho certeza que em um mundo em que eles tivessem mais tempo, ele não amaria todas as partes dela.
Acredito que ele não saberia lidar com tudo o que ela é, principalmente quando isso envolve poder. Tenho a ideia de que ele temeria o poder que ela exerce e o poder que ela é (porque ela é a própria descrição de PODER). – Mas vamos acompanhando o restante dos livros porque temos muito chão pela frente.


Quotes | Frases que complementam os pontos que indiquei

Aqui é algo crítico para mim, porque foi uma atitude muito burra, isso sim me faz questionar se realmente eram os melhores. Gente, o cara não estava deixando ninguém dar trabalho para os dois. O cara é o Rei dos Assassinos. Como que eles só ficaram tipo “ah tudo bem, alguém pediu para fazer esse ‘serviço’ sem a maior guilda saber, deve ser nada não “ 🤦🏽‍♀️.

• “— Encontrei um cliente. — Sam tirou o capuz e se recostou à porta, os braços cruzados sobre o peito largo.
Ela fechou o livro que estava devorando e o apoiou no sofá.
— Hã?
Os olhos castanhos de Sam brilhavam, embora o rosto fosse indecifrável.
— Vão pagar. Muito. E querem evitar que chegue aos ouvidos da Guilda dos Assassinos. Têm até um contrato para você.
— Quem é o cliente?
— Não sei. O homem com quem falei tinha os disfarces de sempre: capuz, roupas comuns. Poderia estar agindo em nome de outra pessoa.”

Aqui acabou pra mim 😔, porque sabemos o que vai acontecer e sabemos que eles não tem todo o tempo do mundo. Nem ela tem.

• “— Posso esperar — falou o companheiro, com a voz áspera, beijando a base do pescoço dela. — Temos todo o tempo do mundo.”

Essa é a pior agonia literária que já passei na vida 😰😞

• “Na noite seguinte, o relógio sobre a lareira parecia parado às 21 horas.
[...]
O relógio marcou 23 horas, e a assassina foi para as ruas, vestindo o traje que o mestre funileiro tinha feito, além de diversas outras armas presas ao corpo.
[...]
Sam não estava no apartamento.
Mas o relógio sobre a lareira marcava 1 hora da manhã.
[...]
Meio-dia. [...]
Arobynn Hamel estava sentado no sofá. Celaena parou.
O rei dos Assassinos se levantou devagar. Ela viu a expressão nos olhos dele e soube o que Arobynn diria muito antes que ele abrisse a boca e sussurrasse:
— Sinto muito.
O silêncio a alcançou.”

Se alguém leu até aqui, agradeço muito mesmo. Ficou gigante, mas cumpri com o que eu queria. Pretendo realizar analises de toda a série, fazendo isso todos os meses, possivelmente. Como trabalho CLT e estou com um projeto de abrir uma lojinha de acessórios bordados, o tempo anda um pouco limitado.

Já conhece essas histórias?