Autor(a): Sarah J. Maas
Editora: Galera
PÁGINAS: 404
Resumo | Agora, mesmo sendo Campeã do Rei, Celaena encontra uma forma de fingir as mortes dos pessoas que o Rei de Adarlan acha merecedoras de punição ou sumiço. Quando ele pede para ela acabar com alguém do seu passado, Celaena, na tentativa de ajudar essa pessoa, acaba descobrindo que existe um grupo rebelde agindo contra o rei e alegam estarem aliados a herdeira do trono de Terrassem, Aelin Galathynus.
Celaena e Chaol se aproximam mais e engatam em um relacionamento. Enquanto isso sua relação com Nehemia parece ruir, pois a princesa quer que ela faça mais pelo povo.
Inicialmente, Celaena se afasta de Dorion, mas passa a perceber coisas estranhas acontecendo com ele. No entanto, tudo se esvai quando Nehemia é morta e Calaena perde um pedaço de si mesma e a confiança que tinha em Chaol.
Celaena descobre a existência de uma criatura abaixo da biblioteca e Dorian a juda a matá-la. Esse episódio faz com que ela veja Dorian usando magia pura e isso se torna algo essencial para a aproximação dos dois, já que compartilham um segredo em comum, pois Celaena sabe lidar com as marcas de Wyrd.
Celaena descobre ca existência de 3 chaves de Wyrd capazes de abrir portais para outros universos e ela sabe que o rei possui uma delas.
Por querer rever Nehemia e querer respostas, Celaena abre um portal usando as marcas de Wyrd, porém dá errado e a Ligeirinha é capturada. Chaol tenta ajudar mas acaba em perigo também, então Celaena entra em ação. Ao passar pelo portal, onde a magia não é proibida, ela se transforma em feerica e da vida a sua magia de chamas. Chaol presenceia tudo.
Chaol com medo do rei descobrir sobre Celaena e matá-la, bola um plano para mandá-la a outro continente pora assassinar a família real Ashayver. Porém depois que ela parte, Chaol descobre que Celaena Sardothien é, na verdade, Aelin Asheyver Galathynius, a herdeira e rainha do trono de Terrassen , a maior ameaça de Adarlan enviada para o continente de seus familiares de sangue.
Queridos leitores, não sei exatamente o que aconteceu, mas andei com uma grande falta de vontade de atualizar meu diário de leitura e acho que isso tem muito a ver com o fato de eu estar lendo mal ultimamente. Tenho tido dificuldade para me concentrar nas histórias e, por causa disso, acabei acumulando mais duas resenhas paradas no bloco de notas, além desta que finalmente estou publicando agora.
Terminei Coroa da Meia-Noite no final de novembro, escrevi o rascunho da resenha em janeiro e só nesta semana consegui fazer o polimento final.
Ainda assim, gostei muito desse segundo livro. Sarah J. Maas expande o universo de Trono de Vidro e aprofunda o desenvolvimento de personagens que serão essenciais ao longo de toda a série.
Não posso deixar de comentar sobre o Chaol, que conseguiu me estressar do início ao fim. Na primeira vez que li a série, caí direitinho na pegadinha de gostar dele para depois pegar ranço. Desta vez, porém, eu já estava preparada e ele não me enganou nem por um segundo (talvez um ou dois, mas obviamente não irei admitir kkk). Me incomoda profundamente essa postura dele de se achar o dono absoluto do código de justiça, como se só a visão dele fosse válida.
Celaena, por outro lado, me encantou ainda mais. Aqui, ela realmente mostra a que veio e do que é capaz. Sinceramente, para mim é impossível ler as cenas dela sem arrepiar, não importa quantas vezes eu releia, o impacto permanece.
E, por fim, Dorian. Sem dúvida, o personagem com o melhor desenvolvimento até aqui. Às vezes, não consigo deixar de sentir pena dele, porque, apesar de tudo, ele é incrivelmente sozinho no mundo.
Segue então minha análise básica de cada arco da história de Coroa da Meia-Noite.
Dorian Havilliard - Príncipe de Adarlan
Entre Trono de Vidro e Coroa da Meia-Noite, surge um triângulo amoroso que faz o início da narrativa ter uma certa vibração de infantilidade. Ainda assim, acredito que esses acontecimentos foram essenciais para o desenvolvimento dos personagens. Cada conflito cumpre um papel importante, e, para mim, o grande destaque foi Dorian.
Dorian apresenta um crescimento marcante em Coroa da Meia-Noite. Antes, ele vivia à sombra do medo do pai; agora, passa a confrontar diretamente as ordens e imposições do rei. É nesse livro que descobrimos que Dorian carrega magia pura em seu sangue, um segredo que o aproxima novamente de Celaena. A partir disso, o vínculo de amizade entre eles se fortalece e se consolida de forma profunda, quase inquebrável. Amei a maneira como Dorian enxerga Celaena por completo, aceitando-a exatamente como ela é.
Frases do Livro:
“Quando se virou, o príncipe podia jurar ter visto de relance um suave círculo de gelo ao redor de onde seu corpo estiver no sofá”. (Cap. 14 - Pág. 112)
“… — Porque não tenho para onde ir.… — Então você sempre terá um lugar aqui.” (Cap. 39 - pág. 293)
Chaol Westfall - Capitão da Guarda Real
Ele não tem um papel tão central neste livro, mas a autora deixa algumas pontas soltas importantes sobre seu arco. A lealdade de Chaol ao rei começa a ser questionada, especialmente em momentos em que demonstra desconfiança em relação às decisões do monarca.
Além disso, somos apresentados ao pai de Chaol, um homem frio e desprezível, cuja indiferença deixa claro o quanto ele não se importa com o próprio filho. Esse encontro ajuda a compreender, ainda que não justifique, parte da rigidez moral de Chaol é sua necessidade de provar para o pai que tem sua vida sob controle.
Também é possível perceber diversas situações em que ele julga Celaena e deseja que ela fosse diferente. Chaol parece incapaz de compreender de onde vêm as escolhas dela — ignora o fato de que tudo o que Celaena faz, e tudo o que aprendeu a fazer, nasce da ausência de alternativas: é isso ou morrer.
Chaol é um personagem de quem é fácil não gostar. Sua necessidade constante de ser o “certinho”, o fiel escudeiro do rei, torna-se irritante, principalmente porque ele tem plena consciência de que muitas de suas decisões acabam prejudicando outras pessoas.
Frases do Livro:
“Você jamais será meu amigo. Você sempre será meu INIMIGO.” (Cap. 30 - pág. 233)
Celaena Sadothien - Campeã do Rei
Em Coroa da Meia-Noite, Celaena nos entrega muito sobre seu passado: Sam, seus pais e suas missões. Vemos muita da vulnerabilidade que ela entrega para Chaol. A morte de Sam quebrou a confiança que ela tinha em amar alguém novamente, então os vínculos que ela cria com Chaol e Nehemia a assustam.
Durante esse volume, acompanhamos Celaena quebrando aos poucos, pois, junto com a morte da amiga, ela perdeu Chaol. E antes, por conta do capitão, ela havia perdido a amizade com Dorian. É triste vê-la caindo no mesmo buraco de quando perdeu Sam, pois ela percebe que novamente está sozinha e que perde todos que ama.
Ela entra em depressão e não consegue aceitar não ter morrido no lugar da amiga. Mas, quando Dorian estende a mão para ela, Celaena segura essa oportunidade e parece se agarrar à amizade deles como uma âncora, como um objetivo para continuar.
Também, nesse livro, é mostrado o grande potencial de Celaena como assassina, pois em Trono de Vidro ela só promete, mas não entrega nada. Aqui é mostrada a dualidade da personagem, o que me deixa muito interessada, pois ela comete erros e não é nem inteiramente boa, nem inteiramente má. Gosto de muitas vezes não concordar com as atitudes dela, pois isso gera estranhamento e faz os pensamentos virem à tona.
Acompanhamos o segredo de Celaena durante dois livros (três, se contar A Lâmina da Assassina), e adoro o quanto isso foi bem construído, pois a Sarah esconde pistas nos lugares certos.
Frases do Livro:
“Celaena deu um salto como aquele uma vez antes, quando seu mundo foi completamente destruído. Mas naquela noite, Sam já estava morto havia quatro dias, e Celaena saltara pela janela da casa de Rourke Farran por pura vingança.
Dessa vez, ela não falharia.
Os homens sequer olhavam para a janela quando ela atravessou. E quando pousou no mezanino e rolou até ficar agachada, duas das adagas que carregava já estavam voando” (Cap. 28 - pág. 218)
“— Obrigada por tudo que fez por mim, Dorian. Obrigada por ser o meu amigo por não ser como os outros.
[…]
— Voltarei — disse Celaena, baixinho — voltarei por você — E o príncipe sabia que havia mais coisas que ela não estava dizendo, algum significado maior por trás daquelas palavras.
Mas Doria acreditou em se ela ia mesmo assim.” (Cap. 55 - pág. 395)
Chaves de Wyrd
Em Trono de Vidro, a autora apenas insere pistas sutis sobre as marcas de Wyrd. Sabíamos que se tratava de uma magia antiga, mas ainda sem compreender sua real dimensão ou impacto na história.
Já em Coroa da Meia-Noite, esse conceito é aprofundado: descobrimos mais sobre Wyrd e sobre a existência de três chaves criadas para abrir um portal — chaves essas que se encontram perdidas. Ao entendermos que, para extinguir a magia do continente, é necessário possuir ao menos uma delas, torna-se evidente que o rei já está em posse de uma chave.
Celaena recebe, então, a missão de encontrar as chaves antes que o rei o faça. Esse arco passa a ter um peso significativo nos volumes seguintes e se estabelece como um dos principais motores da trama, além de ser a base de muitas teorias do universo criado por Sarah J. Maas — pelo menos das minhas.
Frases do Livro:
“— Wyrd governa e constitui a fundação deste mundo. Não apenas de Erilea, mas de toda a vida. Há mundos que existem além de seu conhecimento, mundos que já fazem uns sobre os outros e não sabem.neste momento, você poderia estar de pé no fundo do oceano de outra pessoa. Wyrd mantém esses reinos separados. … — A portões, áreas escuras de Wyrd que permitem que a vida passe por entre mundos…” (Cap. 40 - pág. 301)
Nehemia Ytger - Princesa de Eyllwe
Nehemia sempre foi uma personagem envolta em mistério. Desde o início, sua presença em Adarlan tinha um propósito claro: ajudar o próprio povo. No entanto, ao longo da narrativa, descobrimos que ela e Elena estavam, na verdade, orquestrando um plano muito maior — provocar Celaena a encarar quem realmente é e forçá-la a despertar o seu verdadeiro “eu”, para que pudesse lutar.
Com o tempo, Nehemia se torna uma das pessoas em quem Celaena mais confia e ama. Perdê-la de forma tão brutal, em um paralelo doloroso com a morte de Sam, funciona como uma verdadeira virada de chave para a protagonista. Celaena não aceita a morte da amiga, e somos confrontados com o peso das últimas palavras da princesa, que a perseguem, a envergonham e a corroem: “você é uma covarde”. Celaena se recusa a aceitar que isso seja verdade e é justamente dessa negação que nasce sua transformação.
Frases do Livro:
“— Um dos dois precisa ceder — disse a rainha à princesa — somente então poderá ter início. — Eu sei — falou a princesa, baixinho — Mas o príncipe não está pronto. Precisa ser ela. — Então entende o que eu estou pedindo a você? … — Sim. — Então faça o que deve ser feito.” (Cap. 25 - pág. 205)
Rei de Adarlan
Em Coroa da Meia-Noite, também temos acesso ao ponto de vista do rei em alguns capítulos, o que amplia significativamente a compreensão da ameaça que ele representa. Fica claro que ele está usando o duque de Perrington, Kaltain e o próprio sobrinho em um projeto supersecreto conduzido em Morath.
Kaltain, que à primeira vista parece enlouquecida, revela-se, na verdade, a personagem mais lúcida entre eles. Ela tenta alertar sobre criaturas aladas e algo profundamente sombrio que está se formando, mas suas tentativas são ignoradas.
Além disso, o uso recorrente de anéis de obsidiana pelo rei — assim como pelo duque e pelo sobrinho — é mencionado diversas vezes, funcionando como uma pista inquietante de que todos estão ligados por algo muito maior e mais sinistro do que aparenta.
Frases do Livro:
“Três anéis combinando; três anéis pretos para significar — o quê? Que estavam de alguma forma ligados um ao outro?" (Cap. 18 - pág. 144)
“Porque nas sombras do desfiladeiro Ferrian, ele criava novas montarias para os exércitos que se reuniram. E suas serpentes ainda precisavam de cavaleiros”
(Cap. 53 - pág. 386)

